Urgência de reforma urbana é tema de debate Coordenação Nacional da CSP-Conlutas

cne28290913No domingo de manhã (29) a reunião da Coordenação Nacional da CSP-Conlutas se dedicou a debater a reforma urbana. Um rico debate. Na mesa Helena Silvestre, do Luta Popular, e Paulo Rizzo, do Andes-SN, abordaram o tema sob diversos aspectos.
Helena chamou a atenção, principalmente, para a realidade e o perfil dos que lutam por moradia nos centros urbanos. “Muitos não tem ideia de quem somos, mas na Ocupação de Osasco, por exemplo, temos trabalhadores químicos, metalúrgicos, gráficos e professores, são pessoas que não conseguem pagar seu aluguel”, disse.
Também comentou que o modelo atual de cidade gera uma vida insuportável. “Entre seus maiores problemas estão a mobilidade, a precariedade dos serviços públicos, o que atinge diretamente os setores mais empobrecidos da população”, ressaltou.
Para a militante do movimento popular, o capitalismo tem uma lógica de desenvolvimento com um modelo de propriedade que precisa ser rompido e a luta que se realiza no território deve ser um problema do conjunto dos trabalhadores.
“A especulação imobiliária beneficia somente um setor do empresariado. Além disso, o Minha casa minha vida é um projeto que visa lucros para as construtoras. Não há preocupação efetiva com quem precisa de moradia, esse projeto é uma perspectiva de mercado para o empresariado do setor” critica Helena. Para isso, deu como exemplo o fato de o Minha casa minha vida não abranger reformas já que essa frente não interessa as construtoras. Elas querem construir”, reforça.
Helena apontou uma questão que fragiliza o movimento. “Hoje importantes movimentos capitularam ao governo petista, estão em gabinetes, em ministérios, mas a sua base não ganhou nada”, diz ela lembrando que por isso, a pressão dessas bases sobre as direções e as ocupações continuam.
Ela resgatou ainda a necessidade de se disputar um novo modelo de desenvolvimento das cidades. “E isso é uma tarefa do conjunto dos trabalhadores, nas ocupações, na pratica, pensamos isso quando pensamos a organização das ocupações, quando pensamos no saneamento, educação, moradia, desenvolvimento dos bairros”, diz.
Além disso, defende a importância de construir espaços de democracia direta, conselhos populares, com política de organização.
Paulo aprofundou o debate e mostrou cenários de o quanto o modelo de urbanidade atual serve ao grande capital, cujas cidades são pensadas para classes privilegiadas e como cartão de visita para o capital móvel que circula pelo mundo em época de globalização. “São as cidades mercado, feitas para serem vendidas como atraentes para o mercado mundial, ou seja, a economia global é articulada com suas cidades”, complementa.
Nessa nova forma de gestão urbana cada cidade deve ser competitiva para atrair investimentos externos. Pensa-se hoje as cidades com uma qualidade de vida que seja capaz de atrair e manter os grupos profissionais de mais alta qualificação, com a promoção serviços para esse grupo.
Este é um receituário de gestão que, na pratica, está ligado à exploração da classe trabalhadora. “Neste universo”,acrescentou, “a classe trabalhadora é pensada para trabalhar, não como os que vivem nas cidades, ficando desprovida de uma série de direitos inclusive o direito de viver na cidade”, afirma.
Além disso, a classe trabalhadora deve ser atrativa como mão de obra barata com poucos direitos, baixos salários, enfim, o trabalho precarizado. “É por isso que grandes empresas ameaçam deixar cidades se trabalhadores continuarem com determinados patamares salariais ou direitos”, salienta.
Para explicar esse modelo de cidades,Paulo deu como exemplo trabalhos dos sociólogos Manuel Castells e Jordi Borja produzidos para conferencia da ONU (Organização das Nações Unidas) no qual analisam a cidade de Barcelona, que foi preparada para receber os jogos olímpicos de 1992 como exemplo das cidades atuais. “São cidades preparadas para receber grandes eventos, organizadas como gestão empresarial, como mercadoria”, comenta.
Para ambos, Helena e Paulo, a copa do mundo vai expor essas questões que foram abordadas.
“Portanto, enquanto os governos vão querer mostrar as cidades como vitrines de atração para o capital, temos de mostrar que a realidade é outra da que é vendida, será preciso mostrar os problemas das cidades”, ressalta Paulo.
Helena defende que em maio seja organizada uma jornada de lutas: “Para disputar a bandeira da reforma urbana com a bandeira da revolução urbana, daqueles que lutam, daqueles que não se venderam e não se entregaram”, afirma.
A militante do movimento popular também resgatou ainda a importância da CSP-Conlutas ser uma central que abarca os movimentos sindical e popular, mas acredita que as questões abordadas pelo movimento popular precisam ser abraçadas e unificadas pelos movimentos e expressar um projeto contra o capitalismo. “A reforma urbana é uma luta de toda a classe trabalhadora e parte dessa luta é a luta por moradia”, frisa.
O debate foi enriquecido com importantes aportes de representações de movimentos populares Quilombo Urbano, do Maranhão, de movimentos de Minas Gerais, do Luta Popular, Quilombo Raça e Classe e outros.
Um vídeo sobre a luta do movimento popular e a apresentação de rappers animou os que participavam da reunião, mas também serviu para integrar movimento sindical e popular fortalecendo esse perfil de luta da Central.

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