Michel Temer tenta intimidar os trabalhadores e o povo

O presidente Michel Temer assinou nesta sexta-feira (16), no Palácio do Planalto, o decreto de intervenção federal na segurança pública no estado do Rio de Janeiro.

O decreto chegou à Câmara dos Deputados na tarde desta sexta e foi protocolado por um funcionário da Casa Civil na Primeira Secretaria da Câmara.

Setores do patronato, proprietários dos grandes meios de comunicação, insistem que esta não é uma intervenção militar, por ser restrito a segurança pública.

Contudo, a medida ocorre logo após a ridicularização de Temer durante o carnaval carioca e pouco antes da votação da reforma da previdência no congresso federal. Também fica patente que a medida tenta ser preventiva, uma vez que os trabalhadores e o povo já mostraram que não vão ficar calmamente aguardando as eleições de outubro, para garantir as mudanças que precisam.

Um outro setor dos proprietários de meios de produção, olha a medida com reprovação. Estes queriam a imediata votação da reforma. E, depois, caso houvesse necessidade, a medida de força contra o populacho do Estado do Rio de Janeiro. Para este grupo o que há de mais urgente é colocar as mãos nas verbas da previdência social e ampliar ainda mais seus lucros com o aumento da exploração sobre a classe trabalhadora.

Para todos os patrões o roubo de cargas, os saques em mercados ou arrastões nos polos turísticos da cidade maravilhosa não são desejáveis, mas são toleráveis. Estes senhores não estão preocupados com os assassinatos cometidos pela democracia dos ricos nas favelas ou bairros pobres. Apoiaram, por todo os meios, as operações como as do Complexo da Maré. Só naquela comunidade foram 41 operações policiais, ou seja, uma a cada 9 dias, 42 mortos, 57 feridos, 45 dias sem serviço público de saúde, 35 dias sem aulas nas escolas durante o ano de 2017. Com estas operações e a política de segurança o aparelho repressor matou 1035 jovens, com idades que variam entre 18 e 29 anos, em sua maioria negros.

Todos os poderosos e ricos que se alinham, de um jeito ou de outro, em apoio a intervenção no Rio de Janeiro sabem que não há como acabar ou reduzir de forma definitiva a violência na cidade. A medida de Temer é midiática e eleitoreira. Mas o que é de fato intolerável e unifica todas as facções do patronato é a possibilidade de uma luta vitoriosa que derrote a reforma da previdência.

Por tanto a intervenção federal na segurança pública no estado do Rio de Janeiro trata-se de uma medida que visa inibir as iniciativas de mobilização e organização dos trabalhadores e do povo contra as reformas neoliberais pretendidas pelo imperialismo.

A intervenção federal não tem condições de pôr fim à violência e ao tráfico de drogas

Uma parte dos trabalhadores sabe que o comércio ilegal de drogas não ocorre apenas nas favelas e comunidades pobres da cidade ou do estado. Porém, mesmo nestes locais, é patente que o governo não vai acabar com esse comércio. Ele envolve demasiados aspectos para que possa ser resolvido por meio do terror e da violência policial. A “guerra as drogas” na verdade tem se mostrado não apenas ineficaz no combate ao tráfico. Tem se mostrado cruel contra a população e aprofundou a crise no próprio aparato militar do estado e do país. A recente prisão de um sargento do exército com armas e drogas demonstra o quanto o tráfico tem um poder persuasivo junto a estas instituições.

A única forma de acabar com o tráfico e livrar a cidade, as favelas e as comunidades da violência, que é parte desse comércio, é a sua legalização e a descriminalização do consumo. A legalização viria acompanhada de regulamentação e controle da produção, da compra e da venda. Além disso, uma medida como essa facilitaria o tratamento dos dependes químicos, que são usuários e que poderiam ser tratados pelo poder público.

A dificuldade de se fazer algo tão obvio, só indica o lucro que um grupo de empresários obtém mantendo este “negocio” por fora de qualquer regulamentação. É a altíssima taxa de ganância e a absoluta falta de controle que levam a que um grande setor do patronato não queira terminar com esta “guerra”.

A luta contra a reforma da previdência vai seguir e se fortalecer

A intervenção mostra fraqueza e não força dos governos enterrados na lama da corrupção. Tanto Luiz Fernando Pezão como Michel Temer não contam com credibilidade suficiente para implementar com êxito uma medida como essa, mesmo com todas as suas limitações.

Nas favelas da zona sul ou da zona norte as operárias, os operários e demais trabalhadores enfrentam o mesmo desafio do cotidiano. Nos bairros da periferia seguem os mesmos problemas. Segue a falta de emprego, de moradia, de saúde, de educação e de transportes públicos. Após as chuvas de fevereiro, os governos acrescentaram um novo sofrimento: a falta de luz.

Já há um grande setor entre os trabalhadores que não têm o que comer e a miséria facilita a contração de doenças como a febre amarela. Para esses a intervenção não aponta a criação de empregos, de novas moradias, de mais postos de saúde, de mais hospitais ou escolas. Ao contrário. Aumentará o arrombamento de suas casas, os abusos de autoridade, estupros das crianças e balas perdidas trazendo a morte.

A intervenção reforça a necessidade de organizar a greve geral

A medida anunciada por Temer tenta coagir e intimidar não os bandos de traficantes ou milicianos, mas sim a organização e mobilização da classe operária mais sofrida no Estado do Rio de Janeiro. Esses trabalhadores em parceria com o povo negro e pobre já deram diversas demonstrações de sua disposição de luta para buscar uma saída para seus problemas, necessidades e interesses.

A maioria da Secretaria Executiva Estadual da CSP-Conlutas RJ repudia a Intervenção Militar Federal no Rio de Janeiro e convoca a resistência unificada dos movimentos sindical, sociais e populares e da juventude. É preciso que os moradores das comunidades se organizem e busquem os meios de se defenderem da violência que deve se aprofundar, seja do tráfico, das milícias, ou da polícia e militares. Precisamos unir forças com os que lutam e resistem.

Com ou sem intervenção não vamos dar trégua. Embora o governo admita que não tem os votos necessários para aprovar a reforma da previdência, o discurso das lideranças governistas é de que o cenário pode mudar nos próximos dias e a intenção é colocar a reforma em votação até o dia 28 de fevereiro.

No anúncio da intervenção Temer afirma que revogará o decreto para que a reforma seja votada. Por isso, a pressão dos trabalhadores será fundamental para enterrar de vez esses ataques que querem acabar com a aposentadoria dos trabalhadores. A mobilização da classe é a única forma de colocar para fora Temer, Pezão, Crivella e todos os políticos corruptos eleitos pelos patrões.

Segundo Michel Temer, com a intervenção na segurança os presídios não serão mais escritórios de bandidos, nem as praças serão salões de festa do crime organizado. Também afirma que a previdência é deficitária. Pura balela em todos esses casos! Quer mesmo é desviar o orçamento da previdência para pagar juros a banqueiros através da dívida pública. Também quer privatizar o setor para beneficiar as seguradoras privadas e os bancos. Por isso sua intervenção não é para ameaçar os empregados dos patrões que movimentam o comércio varejista ilegal de drogas e armas.

A CSP-Conlutas faz um chamado a todas as centrais para organizarmos e unificarmos todas as lutas no Rio de Janeiro e no país, rumo a uma nova greve geral que enterre de vez essa reforma. Chega de blá, blá, blá. Vamos dar um basta! Nem Temer, nem Pezão, nem seus amigos corruptos vão tirar a nossa aposentadoria!

Fora Intervenção Militar Federal do Rio de Janeiro!

Fora Pezão e Crivella!

Fora Temer e todos os corruptos do Congresso Nacional!

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