Paes e Pezão tentam acabar com arrastão atacando negros e pobres

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Foto publica pelo Jornal Extra, em 21 de novembro de 2013.

Não há desculpas para o que vem acontecendo no Rio de Janeiro na segunda quinzena de setembro. Um setor da classe média carioca defende junto com o Governador Luiz Fernando Pezão e o Prefeito Eduardo Paes o desrespeito às leis em nome de uma suposta segurança pública.

Já no final de semana (dias 12 e 13) mais de duas dezenas de menores foram retirados de ônibus e apreendidos quando se dirigiam às praias da Zona Sul da cidade. Estes jovens negros e pobres foram libertados por um habeas Corpus expedido pela 1ª Vara da Infância, Juventude e Idoso da Comarca da Capital. No texto o juiz afirma que os órgãos de segurança pública e de repressão aos crimes só podem apreender menores em caso de flagrante delito, para permanecer nos limites da legislação em vigor.

Coincidentemente, após as declarações do governo do estado afirmando que a PM está constrangida por ter que cumprir a lei, no último fim semana foi noticiado arrastões e uma absurda onda de crimes e violência nas praias de Copacabana e Leblon.

Rapidamente Paes e Pezão voltam ao noticiário. Em tom de ameaça dizem que os marginais não chegarão às praias já no próximo final de semana. Para estes senhores a origem dos arrastões, furtos, assaltos que ocorrem nas areias das praias cariocas estão localizados na periferia da cidade. Nos bairros mais pobres. Para eles todos que vierem desta parte da cidade devem passar por uma triagem organizada pela PM.

Usam e abusam de crimes para vender segurança

A guerra ao tráfico de drogas foi a desculpa perfeita para ocupação militar e extermínio nas áreas da cidade onde moram os trabalhadores negros com suas famílias. As ocupações com as Unidades de Polícia Pacificadora já cometeram todo tipo de crime em nome de uma suposta segurança pública e repressão ao comércio de drogas ilícitas. Depois de mais de uma década, Pezão, Paes e o secretário José Mariano Beltrame, não explicam como e por onde chegam, nas favelas e bairros da periferia, as drogas e armas. Nenhuma destas “mercadorias” são fabricadas nestes locais.

O PMDB, partido do governador e do prefeito, não tem nenhum compromisso com a tal segurança pública. Muito pelo contrário. Seu compromisso tem sido com as empreiteiras, os bancos e multinacionais que financiam a eleição de governadores, senadores, deputados, vereadores e prefeitos. Por isso nem Paes ou Pezão vão garantir uma ação da polícia que tenha o objetivo de proteger os trabalhadores e o povo.

A violência que atinge dois milhões de frequentadores das praias cariocas vai continuar como segue nas ruas, nos bairros ou na periferia.  Não fosse assim o governo do estado já teria explicado para o povo fluminense como ocorreu a chacina da Candelária, quem foram os assassinos da juíza Patrícia Accyolli, dos meninos João Hélio e Juan, do dançarino DG, da Cláudia, cujo o corpo foi arrastado pelas ruas de Madureira, preso a uma viatura da PM. O Sr. Beltrame já poderia anunciar a prisão e indiciamento dos criminosos do caso Amarildo.

A segurança é de classe

Fica evidente que todo o aparato de repressão policial está a serviço dos patrões e das multinacionais. Não há um compromisso com a vida ou a segurança do povo. Há uma guerra cada vez mais sangrenta contra a classe trabalhadora e a juventude negra.

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Foto publicada no Jornal O Globo, em 21 de setembro de 2015

Com ostensivo tom de ameaça as autoridades do Estado do Rio de Janeiro anunciam que vão antecipar a “Operação Verão” e fazer blitz, parando ônibus já no próximo sábado. De acordo com Paes, Pezão e Beltrame é legítimo invadir ônibus que vão para a Zona Sul, coagir e revistar os passageiros, pelo simples fato de que não dá para saber quais são criminosos e quais não são. Afirmam que a única coisa que se sabe é que os arrastões foram praticados por pessoas que fazem o mesmo trajeto. Ou seja, para estes senhores os criminosos são negros, pobres e moradores de bairros da periferia. Mesmo que está “ação” fosse feita em todas as linhas de ônibus, ainda assim seria racista. Nesta lógica os criminosos que forem brancos, possuírem algum veículo e morarem em bairros considerados como nobre podem agir impunemente. Foi o que ocorreu na tarde do dia 20 de setembro, em uma importante via de Copacabana. Um grupo de jovens brancos, de classe média protagonizou um episódio mais que lamentável. Atacaram o ônibus 474, que liga a Zona Norte à orla carioca. Uma ação organizada por grupos chamados “justiceiros” contra a população que voltava da praia, em sua maioria negros, como se fossem todos eles culpados pelos furtos na Zona Sul da cidade. Ninguém foi preso. Ao contrário a imagem na capa dos jornais matutinos da segunda feira, mostrava oficiais da PM dando cobertura para a prática do crime.

A CSP-Conlutas exige do Governo Pezão e da Prefeitura de Paes um plano real de combate à violência e de redução da criminalidade. Para isso exigimos mais investimentos em Saúde, Educação e moradia. Que o Estado e a Prefeitura garantam o aumento da oferta de emprego com um plano de obras públicas para a construção de casas, escolas, hospitais, postos de assistência médica, usinas de abastecimento de água potável, saneamento, limpeza e recuperação de rios e lagoas.

Exigimos a desmilitarização da segurança pública, concurso público para secretários, eleição de delegados e de todos os cargos de chefia dos órgãos de policiamento. Exigimos o fim da Polícia Militar com a recuperação do efetivo que deverá ter todos os direitos como qualquer outro trabalhador. Exigimos o fim da Guarda Municipal e que seu efetivo de concursados seja aproveitado na criação de diversos serviços sociais e de utilidade pública da prefeitura para a população. Só com uma política que ofereça e garanta direitos, reduza as desigualdades sociais aos trabalhadores e ao povo carioca haverá redução nos índices de criminalidade não só nas areias das praias, como também nas ruas, logradouros e bairros de toda a cidade do Rio de Janeiro.