Marcha no Rio denuncia o racismo e reúne centenas de trabalhadores

Nesse dia 12 de maio, um dia antes da Lei Aurea completar 130 anos, o Setorial de Negras e Negros da CSP-Conlutas organizou uma atividade com milhares de ativistas, militantes e dirigentes dos movimentos sindical, popular e estudantil. A atividade aprovada pela Coordenação Nacional de Entidades e a Secretaria Executiva Nacional da central teve como objetivo reafirmar a tradição da luta e transformar essa data, em 2018, no Dia Nacional de Denúncia contra o Racismo.

As ruas de Madureira, um bairro da Zona Norte da capital fluminense, se encheram de negras e negros com a reivindicação de exigir reparações para os descendentes dos escravos, que continuam sendo explorados e sofrendo com o racismo.

As trabalhadoras e os trabalhadores fluminenses, durante a atividade, deixaram claro que não precisam de intervenção militar no Rio. Essa intervenção só serve para preencher o noticiário televisivo em horário nobre e reforçar a ideologia do racismo. A espetacularização da terrível violência urbana só incentiva o crescimento de homicídios das pretas e pretos do Rio de Janeiro. A classe operária não precisa disso. As trabalhadoras e os trabalhadores precisam de creches para as crianças de zero a seis anos. De escolas de qualidade para a juventude e adolescência. Precisam de postos de saúde e hospitais para prevenir epidemias como a febre amarela.

A Intervenção Militar Federal decretada por Michel Temer, no Rio, não vai acabar com essa violência. Vai aumentá-la ainda mais. É para isso que o Exército é treinado. Foi para isso, entre outras coisas, que o governo brasileiro – à época o presidente Lula (PT) – mandou tropas brasileiras para ocupar o Haiti: treinar para dias como o que estamos vivendo agora. Foi isso que houve quando FHC (PSDB) usou o Exército para reprimir a greve dos petroleiros em 1995, e quando a presidenta Dilma (PT), em 2013, usou o Exército para reprimir os manifestantes que lutavam contra o leilão do Campo de Libra, das reservas de petróleo do Pré-sal.

Reparações sim! Intervenção não!

A atividade que teve início no fim da manhã desse 12 de maio explicitou para todas e todos trabalhadores que as reparações significam: titulação de terras quilombolas, pela demarcação imediata das terras indígenas, direito à moradia, saneamento básico, escolas, creches e hospitais públicos de qualidade, garantia de emprego e salário igual para trabalho igual entre homens, mulheres, brancos e negros.

Como garantia de melhores condições de trabalho aos descendentes dos escravos e demais trabalhadores exigimos o arquivamento do projeto de reforma da previdência, a revogação da reforma trabalhista de 11 de novembro de 2017, a revogação da Lei das Terceirizações, o fim da Lei de responsabilidade fiscal e suspensão do pagamento das dívidas públicas.

É necessário tomar os exemplos dos Quilombos e começar a organizar o conjunto dos trabalhadores, em especial o povo negro e pobre, na construção de uma rebelião contra todos que os oprimam e explorem rumo à construção de uma greve geral.

Queremos reparações históricas, sociais e coletivas!

Queremos reparações não só pra aqueles que aportaram no Brasil, mas também para nossos(as) irmãos(as) cujas histórias, terras, culturas e tudo mais foram brutalmente atacados pelos colonizadores e imperialistas.

Queremos reparações para honrar a luta de todos e todas aqueles se rebelaram nas senzalas. Por todos quilombolas.

Por Luís Gama e todos os abolicionistas “radicais”. Por Preto Cosme, Luiza Mahin, os Balaios, Sabinos, Cabanos, Lanceiros Negros e todas e todos lutadores.

Queremos reparações por Solano Trindade, Cruz e Souza, Lima Barreto, Carolina de Jesus e todos e todas que fizeram da cultura e da arte porta-vozes da luta pela libertação.

Queremos reparações pelos (as) LGBTs negros (as) que lutam para sobreviver, enfrentando ora a invisiblização, ora a marginalização e a violência.

Queremos reparações por Marielle Franco, Anderson Gomes, Aqualtune (mãe de Ganga Zumba), Acotirene (matriarca no Quilombo dos Palmares), João Cândido, Malcolm X, os Panteras Negras, os imigrantes que fogem das calamidades provocadas pelo Capital e todos(as) que deram suas vidas na luta pela liberdade e a igualdade que a burguesia nunca quis nem será capaz de nos dar.

A atividade mostrou para os trabalhadores e para o povo de Madureira que essa é a vocação da CSP-Conlutas. Nossa central defende que “não há capitalismo sem racismo”. A CSP-Conlutas afirma que a única forma para conquistar a verdadeira abolição, a liberdade de fato, a plena igualdade e construir um mundo de fato fraterno é “fazendo Palmares de novo”, construindo um quilombo socialista aqui e em todos os países do mundo.

Anúncios