Executaram Marielle e Andersom: Intervenção não é solução

Dois dias após uma poderosa greve internacional de mulheres trabalhadoras que atingiu mais 170 países mais uma jovem é executada no Rio de Janeiro. Uma adolescente de 15 anos foi morta, na tarde do sábado, 10 de março, na localidade de Vila Aliança, em Bangu, Zona Oeste da cidade. Taynna dos Santos Marinho foi atingida por um tiro na cabeça. Ela chegou a ser socorrida para o Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, mas chegou morta à unidade. A informação foi confirmada pela Secretaria Municipal de Saúde.

Um dia antes trabalhadores e moradores da Vila Kennedy, na mesma região, se indignaram com uma operação de “choque de ordem” da prefeitura. Quiosques e barracas localizados em uma praça foram derrubados mesmo sob protestos. Alguns comerciantes se arriscaram diante das máquinas para tentar salvar seus produtos.

O terceiro mês de 2018 chega aumentando o sofrimento das mulheres trabalhadoras. Mas não só elas. As operárias e trabalhadoras sofrem muito mais, contudo o sufoco é para toda a classe trabalhadora. Não há emprego, os novos são precarizados, os salários são cada vez menores. Há aumento de preços e tarifas. Tudo por hora da morte.

Não há postos de saúde, hospitais ou escolas públicas. Todos estão sucateados onde falta de tudo. Para completar, além da dor de cabeça com os bandos de traficantes e de milicianos, agora existe o cerco de militares. Soldados, fortemente armados, abordam mulheres e até crianças tratando-as como bandidos. Essas mulheres e seus filhos sofrem revistas e são fichadas pelo fato de ser pobre, morar em uma comunidade onde o governo só chega para distribuir balas perdidas e matar inocentes. Enquanto os verdadeiros bandidos estão muito bem e com a certeza da impunidade.

Dois dias antes de completar um mês da desastrosa intervenção militar a vereadora Marielle Franco (PSOL), de 38 anos, foi assassinada a tiros, no Estácio, Centro do Rio. O motorista do veículo onde se encontrava Marielle, Anderson Pedro Gomes, 39, que guiava o carro, também foi morto. Também se encontrava no veículo uma assessora que sofreu ferimentos. A vereadora voltava de um evento na Rua dos Inválidos, na Lapa, quando um carro parou ao lado do veículo, na Rua Joaquim Palhares, próximo ao metrô, e dois bandidos dispararam, fugindo em seguida.

Ainda, segundo a imprensa, durante a madrugada de quinta-feira (15), já havia declarações de policiais da Delegacia de Homicídios, de que os responsáveis pelo crime já sabiam o lugar exato que a parlamentar ocupava dentro do carro: no banco traseiro à direita. Segundo essa reportagem, agentes da delegacia especializada, afirmam que os disparos foram feitos de trás para frente do veículo e entraram pela janela lateral traseira.

A execução de Marielle e de seu motorista, Anderson Gomes, é responsabilidade não só daqueles que a executaram, como também de todos os governos que promoveram a intervenção militar no Rio de Janeiro e geram a exploração, miséria e violência no lugar de garantir direitos como o trabalho, a saúde e educação.

Exigimos direitos para todos que vivem de seu trabalho

Os cariocas e todos os trabalhadores fluminenses não precisam de intervenção militar que só serve para preencher o noticiário televisivo em horário nobre. A espetacularização da terrível violência urbana só incentiva o crescimento de homicídios das pretas e pretos do Rio de Janeiro. Os trabalhadores não precisam disso. Os trabalhadores precisam de creches para as crianças de zero a seis anos. De escolas de qualidade para a juventude e adolescência. Precisam de postos de saúde e hospitais para prevenir epidemias como a febre amarela.

Chega de enfrentar problemas sociais com intervenção milita

Desde 1992 há intervenções militares no Rio de Janeiro por causa dos megaeventos na cidade. Mas como sempre as tropas militares só atacaram e mataram trabalhadores. O massacre de Volta Redonda ocorreu no dia 09 de novembro de 1988. Nesse dia tropas militares invadiram a Companhia Siderúrgica Nacional. Três trabalhadores em greve foram mortos a tiros e outros 31 acabaram feridos. Todos estavam desarmados.

Nesse período, ou seja, nos últimos 30 anos foram centenas de milhares de homicídios no estado, segundo dados oficiais. São trabalhadores, policiais e criminosos mortos em confrontos. Um verdadeiro inferno para os descendentes de escravos que moram em áreas dominadas por bandos de milicianos ou de traficantes.

A taxa de homicídios no Rio em 2002 registrava 2,76 por 100 mil habitantes. Em 2015 saltou para 22,3, segundo dados do Atlas da Violência, do IPEA. Esse Atlas revela outros números dos demais crimes e violência contra as mulheres e a juventude. Infelizmente tais números não expressão a realidade pois há homicídios e feminicídios que não são registrados como tal e não entram nessas estatísticas.

Não dá para confiar nos prefeitos, no governador, no presidente e, muito menos, nos bandidos que ocupam cargos eletivos no congresso corrupto. É necessário que as entidades dos trabalhadores investiguem e tenham acesso a todos os dados referentes a execução de Marielle e Anderson, assim como a todos os demais crimes cometidos pelo poder público do Estado do Rio de Janeiro.

É preciso medidas para aumentar os empregos, saúde, educação e moradia

Intervenção Militar Federal decretada por Michel Temer, no Rio, não vai acabar com essa violência. Vai aumentá-la ainda mais. É para isso que o Exército é treinado. Foi para isso, entre outras coisas, que o governo brasileiro – à época o presidente Lula (PT) – mandou tropas brasileiras para ocupar o Haiti: treinar para dias como o que estamos vivendo agora. Foi isso que houve quando FHC (PSDB) usou o Exército para reprimir a greve dos petroleiros em 1995, e quando a presidenta Dilma (PT), em 2013, usou o Exército para reprimir os manifestantes que lutavam contra o leilão do Campo de Libra, das reservas de petróleo do Pré-sal.

Não há como confiar em Temer ou Crivella ou Pezão. Devemos organizar uma greve geral para derrotar as reformas e exigir a legalização do comércio varejista de drogas. O dinheiro da arrecadação de impostos sobre esse comércio pode garantir os direitos mínimos negados aos moradores que sofrem com a intervenção. Não vamos ficar esperando que os governos ou parlamentares resolvam nossos problemas.

É necessário, organizar uma luta de resistência: uma greve geral. Para a construção desta greve é preciso formar comitês de mobilização em que os trabalhadores e o povo pobre se organizem, nas fábricas e nas comunidades; é preciso que os policiais (civis e militares) se unam aos trabalhadores e suas lutas. Esse é o caminho para garantir uma verdadeira segurança para todos e todas que trabalham.

Não é possível confiar em governos eleitos com o dinheiro de empresários, traficantes e contraventores. Só com a organização e mobilização é possível construir efetivos mecanismos de autodefesa das comunidades negras e pobres para dar um basta à violência que ceifa a vida da juventude. Também é dessa forma que os trabalhadores podem garantir investigação, punição dos assassinos e mandantes da execução de Marielle e Anderson.

Só com a luta é possível que todas e todos, que não vivem da exploração, corrupção e opressão, possam melhorar as condições de vida. Esse é o caminho para mudar a sociedade em que vivemos, para acabar não só com a violência, mas também com o capitalismo e construir uma sociedade socialista, que livre todos e todas que trabalham, de toda forma de abusos, humilhação, opressão e exploração a que estamos submetidos hoje.

Os lutadores que tombaram na sangrenta luta de classes não morreram em vão.

  • Abaixo a intervenção militar no Rio!

  • Pelo fim da violência e da repressão contra os pobres e negros nas periferias!

  • Fora Temer, Pezão e Crivella!

  • Fora todos os corruptos do Congresso Federal e casas legislativas!

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