Estudantes unificam sua luta com a greve dos servidores

7abr2016ocupaEscola1Pouco antes de completar trinta dias do início do movimento grevista dos trabalhadores da educação os estudantes ocuparam uma escola. Esta ocupação tinha como objetivo não só apoiar a greve dos trabalhadores, mas também chamar atenção da classe e dos demais estudantes das péssimas condições de ensino da rede de escolas públicas estaduais. Trinta e quatro dias depois de iniciada a greve já há mais de dez escolas ocupadas com a mesma pauta de reivindicações. Não são só as escolas do ensino médio. Já há pelo menos uma escola do ensino técnico ocupada pelos alunos. A rede de escolas técnicas também se encontra com suas unidades paralisadas por motivo da greve dos professores e técnicos administrativos.

Em período recente não há notícias de escolas ocupadas durante as greves dos trabalhadores da educação. Mesmo as recentes ocupações de escolas que houve nas escolas públicas no Estado de São Paulo não coincidiu com um movimento grevista dos educadores.

06abr2016clovisMas as diferenças entre estes dois movimentos promovido pelos estudantes param por aí. As semelhanças são muitas. A mais importante entre elas é a auto-organização. São adolescentes, são jovens que ao se confrontarem com a dura realidade da exclusão, das chacinas na periferia e a inexistência da garantia de mobilidade social promovida pela formação em escolas públicas do ensino básico se organizam coletivamente para criar uma alternativa. Se organizam por fora das entidades estudantis que hoje são marionetes dos patrões e seus governos, como a UBES e a UNE.

Outra semelhança importante é a democracia, mas não a democracia dos ricos. Sua organização se faz a partir do princípio e métodos da democracia operária. Com igualdade e liberdade de expressão. Todas as escolas ocupadas até aqui o foram após decisão em maioria em assembleias. Nestas todos têm direito não só de voto, mas, principalmente, de opinião.

Alunos dão aula de organização e luta

06abr2016euclidesOs alunos das escolas ocupadas mantêm uma rotina de atividades diárias com aulas sobre temas relevantes, debates, assembleias e eventos culturais. Os grupos também se organizam para as refeições, segurança e limpeza dos espaços.

A esmagadora maioria entende que a única forma de tentar melhorar as condições de ensino e recuperar, pelo menos em parte, o papel do ensino como promotor de ascensão social é apoiar a greve dos trabalhadores efetivos e terceirizados das escolas públicas estaduais.

Esta maioria entende também que o governo isentou grandes empresas de pagarem impostos, se comprometeu com o crescimento do superávit primário ao mesmo tempo em que desmontou e fechou escolas. A administração estadual pagou as contas de luz atrasadas da SuperVia com dinheiro que deveria ir para as escolas, hospitais e postos de saúde, as UPAs. Foram bilhões de reais que deixaram de ser arrecadado com as isenções e anistia de dívidas de impostos. A greve e as ocupações das escolas expõem de forma dramática os resultados de uma gestão que coloca a máquina e as finanças do Estado do Rio de Janeiro a serviço dos amigos de Sérgio Cabral, de Luiz Fernando Pezão e de Francisco Dornelles.

06abr2016faetecBacaxaMesmo assim as direções burocráticas do movimento sindical, que dirigem as greves em curso, não dão o apoio como deveriam a este movimento. Mesmo sabendo que os patrões através de suas polícias assassinam e não dão expectativas ou futuro para a juventude dão um apoio mínimo. As entidades que tem sua base na greve contra o ajuste fiscal de Pezão/Dornelles deveriam incentivar a formação de um comando político das escolas ocupadas e propor a incorporação de legítimos representantes nos seus comandos de greve. Não são duas lutas paralelas no interior da educação pública estadual. Cada uma com pauta específica. As pautas se cruzam, se mesclam e se complementam. Os alunos, assim como seus responsáveis são parte da comunidade escolar.

06abr2016fundoalunoA maioria da direção do Sepe-RJ e do SINDPEFAETEC, além de incorporar já nos comandos de greve os representantes das assembleias de escolas ocupadas, deveria dar incondicionalmente um apoio político e financeiro mais explícito.  Hoje o apoio que existe por parte destas entidades é formal. Não se leva em consideração que os métodos usados pelos alunos na ocupação são muito mais democráticos que os do sindicato.

Os alunos se transformaram em mestres. As deliberações de suas assembleias são de fato soberanas. Sua humildade permite que professores e funcionários que não respeitam a decisão coletiva da categoria profissional furem greve dentro das unidades que eles controlam. Este exemplo de tolerância e maturidade deve ser valorizado. Ele pode abrir uma discussão para o resgate dos métodos democráticos abandonados por um grande setor dos profissionais de educação. Se acaso as assembleias de alunos votassem que nenhum fura greve entraria na escola eles teriam condições de bancar esta posição política pelo papel que desempenham nas unidades escolares ocupadas.

Todo apoio e solidariedade à luta em defesa da educação

06abr2016gomesFreireA CSP-Conlutas apoia e incentiva que alunos amplie as ocupações das unidades escolares. Estas escolas são suas. São públicas e deveriam oferecer as melhores condições de salários e trabalho para os trabalhadores da educação. Assim como deveriam oferecer uma rica grade curricular que facilitasse a construção do processo de aprendizagem. No entanto o governo Pezão/Dornelles não mostram nenhum respeito por estas instituições. A constante redução de investimentos, a recente demissão de milhares de porteiros, a redução ou suspensão da merenda, a falta de material didático compatível com as necessidades de uma educação no século XXI mostram que este governo não tem compromisso político com a educação de milhões de alunos.

06abr2016joaoNeryA CSP-Conlutas sabe que ocupar uma escola não é tarefa fácil! São necessárias dezenas de reuniões, debates e assembleias. Por isso, quem está dando a aula agora são os estudantes que estão administrando e democratizando o espaço escolar. Mostram na prática que a escola não precisa da ingerência nefasta do estado. Precisa sim que o estado garanta a autonomia escolar e o aumento do investimento. Nos colocamos a disposição das ocupações já efetivadas e as que estão em fase de discussão para atender as necessidades ao nosso alcance.

Consideramos que já estamos presente nestas ocupações através de nossa afiliada: a Assembleia Nacional de Estudantes Livres, a ANEL. Mas sabemos que podemos e faremos mais para ajudar a heroica luta dos professores, funcionários, estudantes e responsáveis da comunidade escolar em defesa de uma educação que atenda os interesses dos trabalhadores, estudantes e o povo.

Anúncios