Estudantil

Estudantes deflagram greve geral em quase 30 IFES: rumo à greve geral da educação!

Fonte: Anel on line: http://www.anelonline.org/?p=185

Em apoio à greve dos docentes que já atinge a forte marca de 49 instituições federais de ensino superior, o movimento estudantil brasileiro tem protagonizado o maior ascenso de lutas da última década. Já chegam a 34 o número de universidades e institutos federais que aprovaram em assembléias massivas a deflagração da greve estudantil, sendo em 29 destas, greve geral. Esta última terça foi a vez da UFRJ, que com quase 2 mil estudantes presentes – a maior assembléia desde a década de 90, votou por ampla maioria a adesão ao movimento grevista nacional.

Veja a lista das IFES que aprovaram greve geral ou parcial de estudantes:

1. UFRA

2. UFOPA

3. UFPA

4. IFPI

5. UFAL

6. UFPB

7. UFPE

8. UFRPE

9. UFMA

10. UFS

11. UNB

12. UFG

13. UFPR

14. FURG

15. UFTPR

16. UFSM

17. UFRJ

18. UFF

19. UFRRJ

20. UNIFESP

21. UFJF

22. IFET/JF

23. UFOP

24. UFES

25. UNIRIO

26. UFU

27. UFLA

28. UFV

29. UFTM

30. UFVJM

31. UFSJ

32. CEFET/MG

33. UNIFAL

34. UFMT

O governo Dilma deve satisfações ao movimento grevista

Além do apoio aos professores em greve, os estudantes têm debatido suas próprias pautas de reivindicação. A raiz dos problemas, tanto das condições de trabalho dos docentes e técnico-administrativos, quanto dos estudantes, está relacionada com o modelo de expansão adotado pelo governo federal nos últimos 5 anos, através do REUNI. Por isso, é preciso tirar satisfações com o governo federal, que não só negou fazer uma reflexão do fracasso deste modelo de expansão, como está querendo votar o novo Plano Nacional de Educação. Este PNE incorpora na sua meta 12 o REUNI como política de estado, com validade por 10 anos, e expandido para as estaduais e particulares. Além de não resolver o histórico problema da falta de financiamento, garantindo na meta 20 apenas 7% do PIB só para 2020!

Sem o investimento necessário, os problemas que já existiam foram se acumulando como uma bola de neve. As filas dos restaurantes universitários cada vez maiores, salas super-lotadas, falta de vagas nas moradias, de bolsas de estudo reajustadas, poucos professores e projetos de pesquisa e extensão, infra-estrutura precária.

Através das assembleias e comandos de greve, tem sido possível reunir esse conjunto de reivindicações para apresentar as reitorias e cobrar as melhorias necessárias. Porém é importante ter clareza que esses problemas específicos só serão de fato solucionados com muita pressão e negociação direta com o governo federal.

Construir um Comando Nacional de Greve democrático e controlado pela base

Se, portanto, esta greve só pode se resolver diretamente com o governo federal, é necessário que os estudantes em greve de todo o país estejam articulados e organizados nacionalmente. A luz da experiência das últimas fortes greves de 98 e 2001, a ANEL propôs através do Manifesto do Movimento Estudantil Brasileiro, assinado por diversas entidades, a construção do Comando Nacional de Greve dos Estudantes.

Este instrumento, como já foi no passado, é fundamental para manter ativa a greve, repleta de calendários de luta, e fortalecer cada pauta específica como uma grande pauta nacional. Por exemplo, em 98, dois estudantes foram presos em Pernambuco durante uma ocupação de reitoria. Imediatamente, o Comando Nacional realizou uma forte campanha pela libertação dos companheiros, que construída em cada universidade foi fundamental para que logo fossem libertados.

Para que o Comando cumpra esse papel, é essencial que seja construído de forma democrática e controlado pela base. A proposta da ANEL é que as assembleias em cada universidade, que já elegeram em sua maioria os comandos locais, indiquem representantes para o Comando Nacional. Estes poderão ser removidos e trocados a qualquer momento, e deverão participar de reuniões em Brasília para decidir sobre os rumos da greve, as principais atividades do Calendário Nacional, as campanhas e
iniciativas políticas, compor mesas de negociação com o MEC e o governo federal, ou seja, unificar e organizar a nível nacional a greve. Para ser realmente uma ferramenta forte o suficiente, é necessário que todas as entidades e organizações políticas que atuam no movimento estudantil se engajem na sua construção.

UNE, rompa com o governo e construa o Comando Nacional de Greve independente!

Nesta nota, fazemos um sincero chamado à UNE que se incorpore neste Comando Nacional de Greve. Sabemos que a entidade se encontra em uma situação desconfortável. Há 5 anos atrás, a UNE disse pra quem quisesse ouvir que era grande defensora do REUNI, afirmando que este garantiria as verbas necessárias para a expansão das universidades que a ele aderissem. Atuaram como verdadeiros cães-de-guarda das reitorias e do governo federal, fazendo de tudo (tudo mesmo!) para garantir a aprovação do decreto pelos conselhos universitários. Agora, que está claro para todo mundo que esta greve é a resposta mais contundente do fracasso do modelo de expansão adotado pelo REUNI, a entidade tem a obrigação de rever seu posicionamento.

A necessidade deste momento é que seja um Comando para organizar as distintas greves espalhadas pelo país, porém a UNE está propondo um “Comando de Lutas” com um conteúdo bastante abstrato. Esta proposta coloca o perigo de dissolver a forte greve em distintas reivindicações que não se choquem com o governo federal. A unidade de todas as lutas do movimento estudantil, das federais, estaduais, particulares e secundaristas, é sempre fundamental. É por isso que optamos pela construção da ANEL, exatamente para buscar unificar e desenvolver de forma permanente as distintas lutas. Ou seja, este Comando que a UNE propõe não entra em contradição com o Comando Nacional de Greve, mas não cumpriria o seu papel.
Sequer a UNE pode negar que vivemos agora um momento diferente. A greve nas instituições federais coloca como imperiosa a necessidade de um Comando para unificar as greves! Se a UNE está a favor dessa articulação nacional, porque não vem construir o Comando de Greve? Por que esse chamado a um “Comando de Lutas” não foi realizado em momentos anteriores, se a sua tarefa fundamental não é organizar a greve? E este Comando proposto pela UNE funcionaria com delegados eleitos em assembléias na base das universidades, com ampla democracia? A UNE deve essas respostas aos lutadores grevistas.

Sabemos que enquanto a UNE não romper de vez com o governo, tendo uma postura verdadeiramente crítica aos seus projetos e negando qualquer apoio financeiro direto de seus gabinetes, será impossível ser a entidade nacional a unificar e desenvolver a greve geral estudantil colocada. A entidade mais tradicional do movimento estudantil brasileiro está diante de uma encruzilhada: ou escolhe o lado dos estudantes em luta, ou o governo do REUNI.

Façamos como a juventude em todo o mundo: vamos ocupar o Brasil!

Os ventos árabes e europeus apontam o caminho para a juventude brasileira. É hora de tomar em nossas mãos o futuro do nosso país e das novas gerações, defendendo a educação pública de qualidade com unhas e dentes. Neste momento de efervescência mundial, é necessário desenvolver uma concreta
articulação entre as entidades estudantis internacionais. Foi com esse intuito que a ANEL participou de uma reunião composta por entidades de 8 diferentes países, entre Chile, Espanha, EUA, Inglaterra, Costa Rica, que além de aprovar um Manifesto, avançou na criação do grupo “Muitos Jovens, uma só Luta!” para concretizar essa aliança.

Sabemos que os problemas que vivemos no Brasil em relação à precarização da educação e o trato dos governos deste direito como uma mercadoria, não é uma realidade só do nosso país. Combinado com isso, a juventude é quem mais sofre com os trabalhos precarizados, contratos temporários, perda de direitos, índices de desemprego – na Espanha já passa de 50% – e tem sido o alvo prioritário dos planos de austeridade da crise econômica. Em cada luta da juventude, fica claro que há um mesmo inimigo com quem se enfrenta a juventude: o capitalismo.

Em maio de 68, a juventude lutou pelo direito de sonhar. Afirmando que era necessário “ser realista e fazer o impossível”, se enfrentou com governos, polícias e os ataques do capitalismo por um futuro diferente. A atual geração de jovens no mundo inteiro tem despertado à consciência para a necessidade de lutar. Unifiquemos nossas forças! Façamos da nossa luta diária pela transformação das universidades, escolas e da educação brasileira, a luta pela construção de um mundo socialista.

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