Pezão atolado na corrupção ameaça punir manifestantes da educação

Após ser comunicada oficialmente que os profissionais da rede de escolas estaduais realizarão uma greve de 24 horas (13/06/17), a Secretaria de Estado de Educação (SEEDUC), através da Subsecretária de Gestão de Pessoas, Claudia Raybolt, enviou um ofício (nº 196) ao SEPE/RJ no intuito de questionar a decisão da categoria.

Foto de março de 2016 publicada no Ilha Notícias, Jornal da Ilha

Tal documento foi emitido no dia 08 de junho, mesma data em que o comunicado do sindicato a respeito da paralisação foi protocolado. Antes de qualquer coisa, importa frisar a agilidade da SEEDUC quando se trata de desqualificar a luta e as reivindicações dos profissionais da educação. Este não tem sido o ritmo da Secretaria para resolver as graves questões que assolam as escolas, como a carência de professores e funcionários, a falta de materiais básicos, a péssima estrutura física, os atrasos salariais dos servidores, etc.
O infame ofício tenta justificar o injustificável, ameaçando quem de fato trabalha pela educação pública no dia a dia e exige seus direitos. A Sra. Raybolt evoca uma velha cantilena conservadora em relação à greve de 2016, atribuindo à mesma “inegáveis prejuízos aos estudantes e à população em geral”.
É necessário refrescar sua memória: no momento em que foi deflagrada a greve, os próprios estudantes já vinham denunciando a ausência de condições mínimas de estudo: ventilação precária, falta de merenda, disciplinas sem professor, entre outras.
Pezão vinha aplicando sucessivos calotes nos salários dos servidores do estado, como continua a fazer. Além disso, anunciara-se o pacote de maldades para retirar direitos essenciais dos trabalhadores, o qual segue sendo imposto pelo conluio criminoso entre o poder legislativo, a ALERJ, o governo e seus financiadores, ou melhor, investidores de campanha.
A realidade é muito diferente do que busca pintar a SEEDUC. Os estudantes e a população em geral entenderam que o projeto político do PMDB consistia em salvar os lucros dos empresários, manter a monumental corrupção e jogar a crise no colo do povo. Por isso, a greve de 2016 contou com amplo apoio entre os alunos e suas famílias.
Todas as vezes que tem sua dignidade e seus direitos ameaçados, os trabalhadores não só podem como devem reagir. Quando se esgotam os demais mecanismos de reivindicação, o que tem sido frequente em razão da postura despótica dos governos do PMDB, as greves e paralisações são os instrumentos que restam.
A senhora Claudia Raybolt, porém, alega que uma nova paralisação em junho de 2017 é uma contradição diante das “negociações” e tentativas de acordo em curso. Ora, se há algo que dificulte as negociações, não é a mobilização dos profissionais da educação. Ao contrário, esta ocorre justamente porque a SEEDUC não apenas desrespeita abertamente diversas conquistas da última greve, acordadas em audiências oficiais, como a cada semana promove novas agressões.
Calote nos salários dos aposentados, atrasos nos salários dos ativos, congelamento da progressão funcional, fechamento de turmas, mobilidade arbitrária de professores, projeto de demissão em massa dos animadores culturais, aumento do desconto previdenciário, descumprimento da lei do 1/3 de planejamento… Se estão procurando o que põe em risco as negociações entre SEEDUC e SEPE, estas são algumas pistas!
Não vamos nos intimidar.
SEGUIREMOS NA LUTA!
Professores e Funcionários das Escolas Estaduais da base do SEPE-RJ.

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