Novembro negro: vamos parar o Brasil no dia 10

É possível e necessário parar o Brasil em 10 de novembro

Mostrando toda a plenitude de sua face desfigurada pelo engodo, pela mentira, pela ganância e falta de escrúpulo o Sr. Michel Temer torrou algo em torno de 12 bilhões de reais de recursos públicos para comprar deputados e se safar da segunda denúncia de crime durante o seu mandato.

A imprensa e a justiça cumpriram seu papel cúmplices e emolduraram toda a operação com ar de normalidade. Tudo como parte da “ordem do jogo democrático”. Contudo para manter o mandato do presidente a bancada ruralista, formada por representantes das multinacionais do agronegócio, exigiram mais que os 800 milhões liberados em emendas orçamentárias. Para comprar os preciosos votos dos representantes do “agro é pop” Temer baixou uma portaria acabando com a fiscalização sobre o trabalho escravo, além de liberar multas ambientais, que foram convertidas em prestação de serviços. Segundo o Ibama, existem R$ 4,6 bilhões em multas não pagas, especialmente por ruralistas. Não haverá, mas se houvesse uma terceira denúncia aceita pelo Ministério Público e encaminhado pela Procuradoria Geral da União ao Supremo Tribunal Federal, os ruralistas exigirão a revogação de Lei Aurea para livrar a cara do presidente.

Diante do toma lá dá cá mais de 97% dos brasileiros sabem que Michel Temer está envolvido nos vários esquemas de corrupção apontados pelas investigações da “Lava Jato”. Porém, a base de sustentação, comprada pelos imperialismos para manter o mandato de Temer, engloba todos os partidos. Pois, não é a compra apenas de deputados. Tem também a compra das versões e silêncio da imprensa e da justiça. Há um acordão que vai do PMDB, DEM e PSDB até PT e PCdoB. Aliás estes dois últimos desmoralizam todos aqueles que seguem repetindo a narrativa de um golpe contra o governo Dilma.

Mesmo os partidos da oposição no congresso, não vão além do jogo parlamentar. Só pensam em ganhar votos e terminam reforçando a gambiarra de sustentação.

Ainda como parte do centro da crise que atravessa o regime há uma disputa entre Temer e Rodrigo Maia, o atual presidente do congresso. Para retirar cada vez mais direitos dos trabalhadores e do povo cada um quer mostrar mais serviço. A disputa se concentra em apurar quem consegue atacar mais as conquistas sociais através das reformas. Enquanto isso a oposição finge que faz alguma coisa. Porém se negam em ajudar a mobilizar a classe trabalhadora para defender os poucos benefícios sociais.

Ninguém aguenta mais este governo

Não tem tamanho o sofrimento do povo com a fome, com a miséria, com a falta de serviços básicos de saúde, de educação e com o aumento da violência. A crise econômica somada a crise de regime fazem com que o crescimento do desemprego e da violência eleve as estatísticas nas alturas. Porém essas, a partir dos dados oficiais, nem chegam perto da dura realidade.

Por isso o sucesso do novo “rap” de Gabriel, o Pensador. No “rap” com o título: “Tô Feliz (matei o Presidente) 2”, há uma reedição e adaptação ao “Fora Temer” de uma música feita para o “Fora Collor”. A peça artística teve mais de 1,5 milhão de acessos em três dias. Uma prova que o povo quer botar para fora tudo isso aí.

Uma resposta que necessita de unificação

No seio da classe trabalhadora há uma revolta e como reflexo há organização de greves operárias. As greves, como a da Mitsubishi, em Catalão (GO), ou da Unilever, em Vinhedo (SP), são fortes, corajosas e vão impedindo por baixo a barbárie total, apesar das cúpulas das centrais e dos partidos eleitoreiros da classe. A recessão e o desemprego não escondem as greves que tem interrompido a produção e circulação de mercadorias. Há um registro formal do aumento das greves operárias publicado pelo DIEESE.

Os servidores, com suas greves defendem os serviços públicos, apesar destes já se encontrarem bastante deteriorados. Trabalhadores das instituições de entidades como o Ministério Público e do judiciário se rebelam contra a reforma trabalhista que fere a Constituição Federal.

Nas regiões rurais, camponeses assalariados, se enfrentam com o latifúndio. Índios e quilombolas lutam para restabelecer suas terras seculares. Trabalhadores se enfrentam com banqueiros e empresários, por fora do movimento sindical, para garantir moradia.

Agora é unificar e preparar a luta

Todo o sofrimento, toda a indignação, toda a disposição de luta se misturam e se fundem para formar e dar corpo as jornadas de luta do dia 10 de novembro.

Este dia poderia ser uma nova greve geral, capaz de colocar um ponto final na pretensão do governo e do congresso de votar a reforma da previdência. No entanto, as cúpulas da centrais seguem divididas em dois grupos: um que busca uma negociação com o governo, com a promessa de não ajudar na construção de uma greve geral, em troca de alguma medida que crie um mecanismo compulsório para substituir o imposto sindical e outro que aposta tudo nas eleições de 2018, provocando o aumento da divisão e entregando, desta forma, os direitos dos trabalhadores. Foi isso que ocorreu com o desmonte da greve geral do dia 30 de junho.

O III Congresso da CSP-Conlutas convoca todas as centrais a romper com o governo e adotar uma política que unifique as lutas da classe, conforme chamado dos metalúrgicos. É necessário que estas centrais orientem os sindicatos filiados a realizar assembleias para organizar e mobilizar os milhões de trabalhadores de sua base social.

Vamos parar o Brasil pela base

É possível e necessário preparar as greves, as paralisações, os atrasos de turnos, o trancamento de grandes vias, os piquetes nos bairros e todas as atividades e iniciativas que fortaleçam o dia 10 de novembro.

Podemos, pela base, ir formando comitês de mobilização nos locais de trabalho, nos bairros, nas favelas, nas escolas e universidades. Com nossa mobilização, organização e luta podemos dar uma resposta global exigindo um salário mínimo com valor suficiente para o sustento de uma família, conforme os valores de 1940, calculado pelo DIEESE. Podemos exigir a execução de um plano de obras públicas, com a construção de casas populares e saneamento básico, para combater a falta de moradia e o desemprego. Com a unificação das lutas é possível exigir a revogação da lei que congela por 20 anos os gastos com saúde e educação, revogar a lei das terceirizações e da reforma trabalhista e impedir a votação da reforma da previdência. Com nossa organização e unidade, no dia 10 de novembro, vamos parar o Brasil.

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