Em defesa do abastecimento e saneamento público, de qualidade e que atenda os interesses dos trabalhadores e do povo

Não a privatização da CEDAE

Se aproveitando do estrago que a crise de superprodução capitalista já fez na vida de milhões de trabalhadores mundo afora, Luiz Fernando Pezão, Jorge Picciani e Michel Temer pretendem entregar o patrimônio público e as riquezas minerais aos banqueiros e empresários que os elegeram.

20fev2017atocedae

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A queda na arrecadação e nas receitas do Estado do Rio de Janeiro não é só porque as multinacionais retiraram seus capitais para investir em outras colônias ou subcolônias dos imperialismos. Esta queda poderia ter um impacto bem menor se Sérgio Cabral, Pezão e Picciani não beneficiassem com isenções de impostos tantos bancos, multinacionais e empresas. Isso sem falar na corrupção, no desvio de verbas e todas as manobras contábeis para botarem nos próprios bolsos bilhões de reais do erário público.

Agora, com a desculpa de sanear e fechar os rombos nas contas públicas com uma suposta redução de gastos, os cavaleiros da cúpula do PMDB, resolvem entregar a CEDAE. A receita operacional desta empresa pública de abastecimento e saneamento, em 2015, foi de quase cinco bilhões de reais. Ao contrário do que afirmam a Rede Globo e Pezão, a empresa é lucrativa. Em 2015, o lucro líquido foi de quase um quarto de bilhão de reais.

Hoje, 20 de fevereiro, a maioria dos deputados estaduais aprovou a autorização de venda da estatal. Com esta votação a privatização está garantida. Porém as demais medidas do pacote de maldade acertado entre Pezão, Picciani e Temer que forem votadas na ALERJ também precisam ser votadas na Câmara Federal. Os trabalhadores ainda não deram sua última palavra. Ainda passará muita água debaixo desta ponte.

Há muita irritação no funcionalismo, que desde outubro de 2015, amarga não só o aprofundamento do arrocho salarial, como também os constantes atrasos no pagamento dos salários. Por isso os altos índices de adesão da greve que os servidores da CEDAE iniciaram também neste dia. Todo o inconformismo com os governos está represado e ganhando pressão a cada novo ataque de Pezão e Temer contra os direitos da classe.

Até mesmo o TER já adiantou sua retirada de apoio jurídico ao governo Luiz Fernando Pezão e Francisco Dornelles. A decisão do Tribunal Regional é de que a campanha incorreu em abuso econômico durante a disputa eleitoral de 2014. A ação trata de gastos irregulares de mais de 10 milhões de reais. Se o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mantiver a decisão do TRE, Pezão e Dornelles vão cair e novas eleições podem ser convocadas.

13fev2017adesivocedaeMas há mais elementos de instabilidade solapando os pilares da decisão tomada pela maioria dos deputados, na ALERJ. A prisão de Garotinho, de Sérgio Cabral, de Eike Batista, a greve da PM, a greve da CEDAE, a resistência dos servidores estaduais ao pacote de maldades, ao congelamento de salários e ao abusivo aumento do desconto para a previdência (no momento em que o objetivo do PMDB, PSDB e também do PT é acabar com o direito a aposentadoria), pode colocar abaixo esse governo a qualquer momento.

Já passou da hora do MUSPE junto com as centrais convocarem os sindicatos, as associações e demais entidades dos trabalhadores e do povo para construção de uma greve geral no Rio de Janeiro. Há disposição de luta de amplos setores da classe trabalhadora para a construção de uma resposta coletiva contundente contra os ataques dos imperialismos, dos patrões, de Pezão ou de Temer.

Não há como confiar no TSE ou nas demais instituições do sistema judiciário. O Poder Judiciário nunca esteve ao lado dos operários, dos pequenos camponeses, dos estudantes ou do povo pobre. Também não se pode confiar que vereadores, deputados e senadores se enfrentem com as multinacionais e bancos que os elegeram para defender os interesses da maioria do povo brasileiro. Só podemos confiar  em nossas próprias forças, nossas organizações, entidades e movimentos criados pelos e para os trabalhadores. Por isso é fundamental a organização de Comitês de Mobilização da greve geral. Estes comitês devem ser criados nos locais de trabalho, moradia e estudo. Para barrar a venda da CEDAE, a Reforma que acaba com a aposentadoria e a que acaba com a proteção das leis trabalhistas só construindo uma poderosa greve geral que pare o país