Reação dos operários do COMPERJ interrompe ponte Rio-Niterói

12fev2015comperjCom quase três meses sem salários, com ameaça de demissão em massa e com desempregados que não receberam seus direitos trabalhistas centenas de operários do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, o COMPERJ, ocuparam as pistas da ponte que liga Niterói à capital do estado. A interdição da ponte ocorreu nesta terça feira, 10 de fevereiro, no início da tarde.

Assim que ocuparam às ruas a imprensa dos patrões começou exigir do estado o início da repressão. Para isso os editoriais usaram como desculpa um difuso direito de ir e vir da população fluminense. Invocar o direito de ir e vir nesta ponte trata-se de uma contradição já que o mesmo não existe. Trata-se de uma mercadoria que é comprada e vendida nos guichês do pedágio. Os únicos direitos violados pela manifestação dos operários foram o de vender, de comprar, de explorar e ser explorado.

Dois dias depois o estado reagiu satisfazendo os reclames da imprensa dos patrões. A Advocacia Geral da União (AGU) ajuizou uma ação de interdito proibitório contra dois sindicatos que atuam no complexo. Caso consiga a liminar, sanções penais estão previstas aos representantes dos operários, em caso de novos atos em trechos de rodovias federais.

Além da ação da AGU, o Ministério Público Federal instaurou um Inquérito Civil Público para identificar e perseguir os manifestantes. Pelo menos seis operários já foram convidados a prestar esclarecimentos, além dos presidentes do Sindicato dos Trabalhadores Empregados nas Empresas de Manutenção e Montagem Industrial do Município de Itaboraí e do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro. Seria muito bom que a justiça e o estado fossem ágeis assim na repressão aos patrões corruptos que não pagam salários aos seus empregados e não cumprem suas obrigações legais nas demissões sem justa causa. Os mais de 2,5 mil operários seguirão sem o pagamento dos salários e ainda enfrentarão o peso da repressão caso realizem alguma manifestação pacífica para denunciar as ilegalidades sofridas. Este é o objetivo do estado com suas ameaças. Esta é a verdadeira face da democracia dos ricos.

Contudo as ameaças dos patrões, de sua imprensa, de seu estado e de sua justiça bate em uma muralha: a realidade de quem precisa do salário para sobreviver e manter sua família. Os operários não se conformarão com a perpetuação destes ataques. Não se esconderão, com medo das ameaças, debaixo de uma série de mentiras que lhes são ditas todos os dias. Sabem que se trata não de cumprir as exigências dos patrões, mas sim de lutar e garantir na marra seus direitos.

Mais do que nunca é necessário cercar de solidariedade a luta destes trabalhadores. Milhares de companheiros estão sofrendo, sendo demitidos pelas empresas corruptas das obras da Petrobrás, como no caso do COMPERJ e SUAPE. Estes operários seguem sem receber nada de direitos trabalhistas e o governo ainda pretende intimida-los com ameaças. Basta! Vamos aumentar a pressão sobre a PETROBRÁS para que pague todos os salários atrasados e garanta o emprego. Vamos aumentar a pressão e a denúncia contra o Ministério Público e a Justiça do Trabalho. Vamos exigir do governo Dilma Rousseff não só que interfira a favor dos interesses dos operários do COMPERJ, mas também recue de todo e qualquer ataque a nossos direitos.

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