Petroleiros do Rio preparam defesa da Petrobrás

Petroleiros e petroleiras enfrentam hoje o maior ataque contra a empresa e contra os direitos dos trabalhadores. O Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello , o CENPES, também é vítima do imenso projeto de desmonte, dirigido por Pedro Parente, que não mede esforços para transformar um gigantesco espaço de pesquisa e invenção, em um imenso vazio corporativo. Pelos corredores onde circulavam entusiasmo e criação, hoje circulam dúvidas e angústias a respeito do destino do CENPES, das terceirizadas e de cada trabalhador e trabalhadora. Olhares, conversas e mesmo o silêncio revela: “Nada vai bem”. O rumo apontado por Parente e sua Gerência Executiva não é nosso destino. É preciso inventar outro.

Publicamos um trecho do boletim que busca a organização e mobilização da reistência:

Lembrando o “Welcome to CENPES”

Aquele panfleto do momento das eleições do sindicato narrava o dia a dia, desde o trajeto nos ônibus da 1001, que muitos fazem, para chegar a um dos complexos de pesquisa aplicada mais importantes do mundo. Criticava a queda nos investimentos em P&D (R$ 1,7 bi para R$ 1,3 bi, entre 2014 a 2015). Denunciava, entre outras coisas, o desestímulo ao pensamento, a lei da mordaça, a obsessão pela centralização corporativa, o desprezo pela nossa memória técnica. Alertava sobre a orientação da direção para que se mude o modelo mental de inventor para “buscador” de tecnologia. A mesma direção, que exige retorno financeiro, mas expulsa a Engenharia Básica, a ponta executora que transformava a pesquisa em realidade operacional. O boletim chamava a tudo isso de “viver uma batalha ideológica”, e parece ter sido esse o motivo maior da ira da gerência executiva, que chegou a classificar os membros da chapa 2 como “trevas”.
Joper não dialoga – Até agora, apesar de, mais uma vez, o Sindipetro-RJ ter pedido oficialmente, uma reunião para discutir essas e outras questões, o GE Joper Cezar de A. Filho, se recusa a receber a entidade.

DISPUTA DE PROJETOS SIM

O que significa falar em “batalha ideológica”? Queremos dizer que a gerência executiva possui um conjunto de ideais alinhadas com a direção da empresa, uma consciência de como deve funcionar o Centro de Pesquisa que inclui, além do que já listamos, a retirada dos 30% de periculosidade dos terceirizados, o desprezo com a alimentação, descontos indevidos na folha de horas do turno, negligência com a segurança, descaso com os terceirizados, a diminuição do efetivo, a tentativa de mudança na legislação do benzeno. O plano de acabar com a cogeração do CENPES é mais uma dessas várias medidas aparentemente independentes, mas que fazem parte de um projeto para o CENPES: o esvaziamento e desmonte do Centro de Pesquisa, parte do projeto maior de desmonte da Petrobrás. Esse projeto define um caminho perverso para o trabalho e a vida do petroleiro. É por isso que chamamos os empreendedores dessa política de “assassinos científicos”. E, quando se mata a ciência, mata-se também a pesquisa, o trabalho e a vida.

Para enfrentar os “experts” em provocar catástrofes, para inventar juntos um outro caminho, os trabalhadores só podem contar com suas criações cotidianas de solidariedade entre si e organização coletiva. É nisso que a nova direção do Sindicato aposta para opor a esse projeto de sufocamento e morte, um projeto de resistência, invenção e vida.

Veja aqui o boletim da Direção do SINDIPETRO-RJ que já está nos locais de trabalho

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