Fora Temer! Fora todos os políticos corruptos e suas reformas

Ocupar Brasília no dia 24 e preparar a greve geral de 48h

No final da tarde desta quarta feira, 17 de maio, o Jornal O GLOBO publicou uma matéria que paralisou imediatamente o país não só neste dia, mas também no dia seguinte. Segundo a matéria os irmãos Joesley e Wesley Batista prepararam uma delação em sigilo de justiça. Donos da maior empresa que atua com a produção de proteína animal, sob orientação dos procuradores e policiais federais, produziram provas de corrupção envolvendo o presidente Michel Temer, o senador Aécio Neves, o senador Zezé Perrella e o deputado Rodrigo Rocha Loures. Também foram citados o ex-ministro Guido Mantega e o ex-presidente Lula. Ainda, segundo a mesma matéria, as delações teriam ocorrido no mês de abril deste ano. Esta delação dos irmãos proprietários da JBS foi feita em tempo recorde. Muito diferente das delações da Odebrecht que foi negociada durante dez meses e a da OAS que se arrasta por mais de um ano.

A crise política tem como origem a crise econômica. Com o aumento do desemprego, da fome e da miséria no país. Michel Temer passou a ser odiado pela maioria da classe trabalhadora e também por grande parte da classe média. Hoje não há ninguém entre o povo pobre que defenda o governo federal. Contudo a crise do capitalismo mundial e nacional é apenas uma parte da explicação para a completa desestabilização do governo. Também as dificuldades de venda, de compra e de fusões enfrentada pela burguesia para manter seus lucros é outra parte desta explicação. Porém há uma variável incontrolável que inflama a situação do país e é determinante na raiz da crise institucional. Esse elemento da realidade é a disposição de luta e capacidade de mobilização da classe operária e trabalhadora.

Não são coincidências as dificuldades da Câmara Federal na tramitação da Reforma da Previdência. O mesmo ocorreu no Senado com a Reforma Trabalhista. Todos estes fatos que antecederam a crise política atual ocorreram após as jornadas de luta do mês de março e greve geral de 28 de abril.

Estes fatos são relevantes na explicação da crise do regime em uma conjuntura de recessão econômica. A maior força produtiva do país, os trabalhadores, se voltar a interromper a produção, aprofundará a crise do capitalismo brasileiro com efeitos na combalida economia mundial.

A delação e sua forma atípica revela que há um grande setor da classe dominante, sócia do capital internacional, que pretende renovar a direção política do estado brasileiro. Este setor dos patrões precisa de um governo que retire os direitos dos trabalhadores e do povo sem provocar uma convulsão social entre os debaixo. O capitalismo brasileiro pode sobreviver a convulsões sociais, mas em tempos de recessão mundial os custos são altos em demasia. Por isso buscam uma saída por dentro do regime para substituir o impopular Michel Temer.

Os trabalhadores e o povo tem uma vantagem na luta de classes e é preciso aproveita-la. É possível construir outra poderosa greve geral, desta vez de dois dias, e colocar abaixo os planos dos patrões. Mais do que nunca é necessários que os operários, os trabalhadores e os estudantes confiem em sua capacidade de tomar em suas mãos o seu destino. Uma nova greve geral tem o poder não de só de colocar para fora Michel Temer, mas também de enterrar as reformas e qualquer outra iniciativa dos patrões que envolva redução de direitos. Por isso a tarefa que se coloca para o conjunto da classe é ocupar as ruas de Brasília, no dia 24 de maio e fortalecer a construção da greve geral de 48 horas.

Infelizmente a maioria da direção dos movimentos sociais não confia que os trabalhadores e estudantes cumpram suas tarefas históricas. Por avaliar desta forma apostam em uma saída por dentro do regime e de colaboração com os patrões. Defendem uma recomposição e fortalecimento do regime a partir de eleições. Hoje agitam a reivindicação de “eleições diretas, já” para substituir Temer.  Essa saída, apesar de não estar no atual rito constitucional, fica circunscrita às regras da democracia dos ricos e poderosos. Tem como único mérito escolher quem será o novo capitão do mato que retornará a busca pela redução dos direitos dos trabalhadores e do povo.

Não há tempo nem espaço para vacilações. A intensificação das lutas nos autoriza a dar mais um passo na construção de uma sociedade socialista. Já demos os primeiros passos rumo à libertação da classe. Agora temos que avançar. Devemos fortalecer os Comitês de Mobilização. Criar outros onde não existam. Deixar que estes organismos preparem e dirijam nossas mobilizações, greves e lutas.

Para os operários, os trabalhadores e a juventude brasileira há uma oportunidade histórica que pode nos levar a emancipação da classe no Brasil e ajudar os trabalhadores dos outros países a superar a atual sociedade doentia em que vivemos. Podemos e devemos seguir marchando rumo ao futuro da humanidade. Se errarmos o passo podemos acelerar a instalação da barbárie que já está entre nós e se fortalece na democracia dos patrões.